Estudo revela diferenças na percepção de consciência
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, na Alemanha, investigou como as pessoas diferenciam a consciência entre humanos e inteligências artificiais (IAs). O inquérito contou com a participação de 1.092 indivíduos do Reino Unido e revelou que, mesmo quando as IAs agiam de maneira semelhante a humanos, elas eram frequentemente vistas como menos conscientes. Essa pesquisa foi publicada na revista científica Cognition e destacou que o simples ato de agir como uma pessoa não é suficiente para ser considerado como possuidor de consciência.
Os voluntários foram apresentados a diferentes cenários que exploravam como personagens, tanto humanos quanto artificiais, reagiam a diversos estímulos, como sons ou emoções alheias. Os resultados mostraram que a percepção de consciência variou significativamente conforme as descrições e a natureza do comportamento apresentado, com a IA mais responsiva ainda sendo vista como menos consciente do que o humano menos responsivo.
A influência da linguagem nas respostas
Os pesquisadores observam que a forma como as perguntas foram formuladas teve um impacto significativo nas respostas dos participantes. Quando o termo utilizado foi “awareness”, que se refere à percepção do ambiente, a distância na avaliação entre humanos e máquinas diminuiu. No entanto, quando a questão abordava “consciousness”, a diferença permanecia. Isso sugere que os indivíduos aplicam critérios distintos ao avaliar conceitos relacionados, sendo mais influenciados pela qualidade da ação do que pela natureza do agente, quando se trata de percepção ambiental em contraste com a consciência.

A filósofa Ophelia Deroy, coautora do estudo, também destacou as limitações do vocabulário disponível para discutir questões de consciência artificial. Segundo ela, a utilização de termos relacionados à mente para descrever a IA pode ser uma tentativa de suprir a falta de vocabulário específico e mais adequado para esses tipos de sistemas.
Limitações da pesquisa sobre natureza da IA
É importante ressaltar que o estudo não investigou se as inteligências artificiais têm experiências internas ou consciência, mas sim como as avaliações humanas podem ser influenciadas por fatores externos. Os experimentos foram limitados a cenários escritos, sem interação direta com IAs, e a amostra, composta apenas por britânicos, pode não refletir a percepção global sobre o tema.
Esses resultados não se encaixam nas pesquisas que buscam descobrir indicadores de consciência dentro dos próprios sistemas de IA, tampouco nos testes em que as IAs produzem relatos sobre si mesmas. O coautor do trabalho, Bahador Bahrami, enfatiza que a maneira como apresentamos a tecnologia impacta diretamente na interpretação do público e, portanto, a escolha da linguagem é crucial.

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