Economia da China sofre com a guerra, mas país pode colher frutos no futuro

Desafios da Guerra na Economia Chinesa

A situação de conflito no Oriente Médio, especialmente a tensão causada pela guerra no Irã, tem gerado diversos obstáculos para a economia da China. Essa guerra não só afeta a demanda global, mas também prejudica as rotas de comércio e amplifica as incertezas sobre o futuro do crescimento econômico do país.

Alguns especialistas afirmam que a China, apesar dos desafios, pode se beneficiar em certas áreas no longo prazo. Isso se deve ao fato de que a potência asiática consegue manter uma relativa vantagem em segurança energética em comparação com seus vizinhos, permitindo que se adapte de maneira mais eficaz às necessidades emergentes.

Um dos principais fatores que impactam a economia chinesa são as alterações nas cadeias de suprimentos e a constante oscilação nos preços de energia que afetam não apenas o mercado interno, mas também o cenário global.

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Impactos nas Exportações e Crescimento

A demanda por exportações chinesas enfrenta uma redução significativa devido à guerra no Irã, que prejudica muitas das economias que compram produtos da China. A dependência crescente do crescimento econômico chinês em relação às exportações torna essa situação ainda mais crítica. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reavaliou suas projeções para o crescimento das importações em diversas regiões do mundo, evidenciando a fragilidade da situação.

Entre os 20 principais mercados que consomem produtos chineses, muitos estão vendo suas previsões de crescimento de importações serem cortadas drasticamente. Isso se traduz em desafios diretos para a China, uma vez que sua economia, em 2025, dependia de maneira significativa das exportações — alcançando um recorde desde 1997, onde quase um terço do crescimento do PIB provinha desse setor.

A Segurança Energética da China

Em meio a essas conturbações, a China se depara com riscos em sua segurança energética, uma vez que uma grande porcentagem de seu petróleo bruto é transacionada através do Estreito de Ormuz. Contudo, a diversidade nas fontes de energia e as reservas estratégicas permitem que a China enfrente os impactos de forma mais resiliente em comparação a várias outras nações.

Os preços do petróleo Brent dispararam devido ao conflito, passando de médias de US$ 71 para mais de US$ 100 por barril, criando um ambiente desafiador para a economia chinesa. No entanto, com uma maior taxa de adoção de veículos elétricos e alternativas de energia renovável, a China demonstra uma capacidade de recuperação que pode proteger seu mercado e sua indústria a médio prazo.

A Resiliência do Setor Industrial

A indústria manufatureira da China continua a ser um dos seus pilares econômicos, respondendo por cerca de 28% do valor agregado global. Entretanto, a guerra e o aumento nos custos de energia complicam ainda mais o cenário para esses fabricantes. O aumento nos preços de insumos cria uma pressão significativa sobre os lucros, ao mesmo tempo que já existe uma demanda interna enfraquecida, afetando diretamente a produção e o consumo.

Os dados mostram que, em 2023, o setor manufatureiro chinês utilizou mais de 95 exajoules de energia, resultado de seus esforços contínuos para manter-se à frente no mercado global. Apesar da pressão, a China pode superar os concorrentes internacionais devido a suas capacidades de produção e infraestrutura sólida.

Cadeias de Suprimentos em Crise

A guerra no Irã contribui para um descompasso nas cadeias de suprimentos globais, fazendo com que os preços de energia e insumos cruciais aumentem de forma considerável. Enquanto isso, os fabricantes chineses têm uma oportunidade para explorar sua posição de vantagem e potencializar sua competitividade no mercado internacional.

A situação requer que a China se adapte rapidamente e busque novas formas de otimizar suas operações para continuar a crescer, mesmo que a demanda externa permaneça reprimida. As disrupções nas cadeias de suprimentos, especialmente no setor de semicondutores e na indústria agrícola, ainda representam riscos a quem quer que se envolva em produção intensiva.

Desafios de Investimentos no Oriente Médio

O Oriente Médio é uma região de interesse significativo para a China em termos de investimentos, especialmente no setor de tecnologia e infraestrutura. No entanto, o atual estado de conflito ameaça não apenas os investimentos existentes, mas também a confiança no futuro da relação comercial na região.

Os recentes ataques na infraestrutura energética e áreas civis no Iraque, Jordânia e outros países vizinhos elevaram as tensões, afetando bilhões de dólares em projetos que envolvem capital chinês, como os acordos firmados com o Kuwait para a construção do Porto Mubarak Al-Kabeer, que foi alvo de ataques.

Diversificação de Fontes Energéticas

Diante de todos esses desafios, a China já vinha implementando uma estratégia de diversificação de suas fontes energéticas, reduzindo sua dependência do Oriente Médio. Em 2024, as importações de petróleo que passaram pelo Estreito de Ormuz diminuíram para 36% do total, enquanto alternativas como gás natural liquefeito (GNL) começaram a ter um papel fundamental.

A produção interna de gás natural também aumentou significativamente, e o GNL começou a ser obtido de fornecedores variados ao redor do globo. Isso garante que a China tenha um gasto energético mais autossuficiente e resiliente.

A Resposta ao Aumento dos Custos

A resposta da China aos aumentos de custos gera um CPF competitivo com o resto do mundo. Em abril de 2026, a política de preços domésticos começou a ser ajustada como forma de minimizar as repercussões negativas do aumento global do preço do petróleo.

Essa estratégia de controle, aplicada por meio de reservas estratégicas que possuem uma capacidade colossal, oferece uma segurança de abastecimento que muitos outros países na região não conseguem manter.

O Papel das Energias Renováveis

Nos últimos anos, a China intensificou seus esforços na construção de um setor de energias renováveis robusto. Ao instalar quase metade da capacidade global em energia solar e eólica até 2024, o país começou a reduzir sua dependência de combustíveis fósseis.

A energia nuclear também está em expansão, com expectativas de que 10% da eletricidade do país venha desse recurso até 2035. Esses investimentos em energia sustentável não apenas ajudam na transição energética, mas reforçam a segurança energética da China.

Perspectivas Futuras para a Economia Chinesa

A economia chinesa se encontra em uma encruzilhada. Apesar de enfrentar desafios imediatos e uma perspectiva complicada devido à guerra no Oriente Médio, sua capacidade de adaptação e resiliência se destacam. A diversificação de suas fontes de energia, a adoção de energias renováveis e a manutenção de uma indústria forte indicam que, com estratégias apropriadas, a China pode não apenas sobreviver, mas até prosperar em um tenor global conturbado.

A combinação de uma expansão preparados com investimentos em tecnologias emergentes e energias limpas pode posicionar a China favorablemente para aproveitar qualquer eventual recuperação econômica global no futuro.