No terceiro trimestre de 2026, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou um prejuízo líquido de R$ 731 milhões, revertendo lucro de R$ 134 milhões do ano anterior.
Esse resultado negativo se deu, em grande parte, pela provisão de R$ 708 milhões referente ao que o grupo tinha a receber da antiga controlada, Casas Bahia, agora em recuperação judicial.
A auditoria da EY destacou incertezas relevantes sobre a continuidade operacional do GPA, apesar da homologação do plano de recuperação extrajudicial da varejista em outubro.

As operações descontinuadas foram as principais responsáveis pela perda no trimestre, levantando preocupações sobre a estabilidade financeira do grupo e suas futuras operações.
Impacto financeiro das operações descontinuadas
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou um prejuízo líquido de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 134 milhões do mesmo período do ano anterior. As perdas acumuladas em nove meses totalizam R$ 2,42 bilhões. Grande parte desse prejuízo está relacionada às operações descontinuadas, que, sozinhas, resultaram em perda de R$ 511 milhões nesse trimestre. O GPA atribui essa um montante significativo a um impacto de R$ 467 milhões ligado a uma provisão, sem fornecer detalhes adicionais sobre a origem desse valor no relatório de resultados.
A empresa tinha um montante considerável de R$ 708 milhões a receber da antiga controlada, a Casas Bahia, que já não está sob sua gestão desde 2019. Este valor refere-se a créditos tributários obtidos por meio de uma disputa sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins, relativa ao período de 2003 a 2010. Contudo, com a recuperação judicial da Casas Bahia em agosto, essa dívida passou a ser tratada como um crédito concursal, criando incertezas quanto ao recebimento desse montante.
Detalhes sobre a auditoria e continuidade do negócio
A auditoria realizada pela EY incluiu um aviso sobre a “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional”. O documento destaca o prejuízo acumulado até o momento, um passivo circulante maior que o ativo e a situação crítica do patrimônio líquido, que se tornou negativo. Apesar da homologação do plano de recuperação extrajudicial em outubro, a auditoria ressalta que o GPA continua dependente do cumprimento das condições desse plano e de outras medidas de reestruturação financeira. Esses fatores levantam dúvidas fundamentadas sobre a capacidade da empresa de continuar operando, embora a administração conteste essa visão.
O GPA reconhece a gravidade do risco em suas declarações financeiras, afirmando que, apesar da homologação do plano e das iniciativas em curso, existem incertezas sobre o sucesso dessas medidas. Além disso, a companhia anunciou que está considerando “alternativas adicionais” para fortalecer sua estrutura de capital. Essa preocupação não é nova, uma vez que também foi mencionada em balanços anteriores, sugerindo que a continuidade do negócio sempre foi uma questão a ser monitorada de perto.
Provisões e validade das expectativas de recuperação
O contexto financeiro da empresa é complicado, uma vez que a dívida bruta aumentou para R$ 4,46 bilhões, toda concentrada em obrigações de curto prazo devido a vencimentos antecipados entre o pedido de recuperação e a homologação do plano. Consequentemente, o caixa diminuiu consideravelmente, passando de R$ 1,99 bilhão no final de 2025 para R$ 678 milhões em setembro. A alavancagem, que já era preocupante, agora equivale a 3,7 vezes a geração de caixa operacional da companhia.
O plano de recuperação visa prolongar o prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos, reduzindo pagamentos antecipados a cerca de R$ 400 milhões. Contudo, esses números ainda não refletem possíveis efeitos de valor justo, pois a reavaliação está em andamento. Uma listagem de títulos está bloqueada na B3 até que as novas debêntures sejam emitidas, o que pode trazer desafios adicionais ao GPA.
Desempenho de vendas e medidas de reestruturação
A receita líquida do GPA caiu 9,6% no terceiro trimestre, totalizando R$ 4,12 bilhões. Parte dessa queda é atribuída ao fechamento de operações que não eram lucrativas, bem como à falta de produtos nas prateleiras, uma consequência direta do processo de recuperação. Apesar da dificuldade, as vendas nas lojas abertas há mais de um ano tiveram uma leve queda de 1,4%, mostrando que a situação pode estar se estabilizando. A companhia tem se esforçado para melhorar a eficiência operacional, o que se reflete em um aumento de 16,9% no Ebitda ajustado, alcançando R$ 482 milhões.
O CEO Alexandre Santoro reconheceu a importância de enfrentar os desafios que envolvem a recuperação das vendas, enfatizando o foco nas ações que aumentam a eficiência, que totalizam R$ 365 milhões em ganhos em 2026.

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