Casas Bahia reduz dívida em 68%, mas prejuízo vai a R$ 1 bi no 1° trimestre

A redução da dívida e suas consequências

No início de 2026, o Grupo Casas Bahia iniciou suas operações enfrentando um cenário desafiador, mas, ao mesmo tempo, demonstrou progresso em sua reestruturação financeira. Um dos pontos mais significativos foi a redução de 68% na dívida líquida ajustada da empresa, passando de R$ 3,911 bilhões para R$ 1,248 bilhão em comparação ao ano anterior. Essa redução não apenas deve ajudar a estabilizar financeiramente a empresa, mas também oferece uma esperança de um futuro mais sólido e menos dependente de endividamento, o que é essencial para a sustentabilidade a longo prazo.

Essa diminuição da dívida está alinhada com um movimento estratégico da companhia, que busca melhorar sua estrutura de capital e aumentar o market share, mesmo com uma economia brasileira sob pressão. O diretor financeiro, Elcio Ito, salientou a importância de uma gestão mais cuidadosa na concessão de crédito, com o objetivo de equilibrar o crescimento com a gestão responsável dos riscos associados à inadimplência.

Análise do prejuízo no 1° trimestre de 2026

O primeiro trimestre de 2026 trouxe à Casas Bahia um prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, cifra que preocupa e que superou a perda de R$ 408 milhões do mesmo período do ano anterior. Essa queda significativa aponta para desafios operacionais que ainda precisam ser enfrentados, especialmente com o impacto contínuo das taxas de juros elevadas.

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Além disso, a evolução das condições macroeconômicas, como o aumento da taxa Selic, teve um papel crucial nas dificuldades financeiras da empresa. A alta dos juros encarece o crédito e inibe o consumo, fatores que são vitais para o varejo.

Impacto da alta da Selic nos resultados financeiros

O aumento da taxa Selic para 14,86% teve um impacto direto no resultado financeiro da Casas Bahia, que enfrentou um resultado financeiro negativo de R$ 1,2 bilhão no trimestre. Isso reflete não apenas o aumento dos custos da dívida, mas também as dificuldades operacionais decorrentes da queda no consumo. O ajuste da estrutura de capital da empresa é um reflexo da necessidade de enfrentar esses desafios, mantendo a saúde financeira a longo prazo.

A dívida líquida também se tornou uma preocupação crescente, com a relação entre a dívida e o Ebitda passando de 1,8 vezes para 0,5 vezes, uma melhora significativa que, por sua vez, contribui para uma posição mais robusta no setor.

Desempenho operacional em meio à adversidade

No entanto, a empresa conseguiu mostrar alguns sinais de melhora operacional. O Ebitda ajustado do primeiro trimestre foi de R$ 597 milhões, apresentando um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Isso indica que, apesar das dificuldades financeiras, a empresa tem conseguido manter um certo nível de eficiência operacional.

A margem Ebitda se manteve praticamente estável em 8,1%, comparada a 8,2% no ano anterior, mostrando resiliência em suas atividades principais. A receita líquida cresceu 6,1%, alcançando R$ 7,416 bilhões, impulsionada principalmente pelo desempenho do e-commerce, que teve um crescimento notável de 26,4%.

Efeito contábil do imposto de renda diferido

O impacto do imposto de renda diferido também foi um fator significativo no resultado financeiro da Casas Bahia. A empresa adotou uma estratégia mais conservadora referente aos créditos tributários, o que gerou uma variação negativa de aproximadamente R$ 370 milhões em comparação ao ano anterior. Essa tática visa evitar sobrecargas futuras e oferecer uma visão mais realista das finanças da companhia.

Expansão do crediário e controle de inadimplência

Um dos principais focos da Casas Bahia para o futuro imediato é a expansão de suas operações de crediário, sempre mantendo um olho crítico na disciplina da concessão de crédito. O CFO, Elcio Ito, enfatizou que a companhia não busca crescimento a qualquer custo, mas sim segurança nas operações, especialmente em tempos econômicos incertos.

Atualmente, a carteira de crediário da empresa chega a R$ 6,3 bilhões, com uma penetração do carnê nas vendas de 24,3%, enquanto o crediário digital representa 9,9% das vendas. A produção do crediário digital cresceu 18%, atingindo R$ 874 milhões, evidenciando um movimento de inovação e adaptação ao comportamento do consumidor.

Evolução do e-commerce e vendas nas lojas físicas

A performance do e-commerce da Casas Bahia foi um dos destaques, com um aumento significativo nas vendas online, contrastando com a ligeira queda das lojas físicas. O volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado foi de R$ 11,2 bilhões, incorporando um crescimento de 5% na comparação anual.

No entanto, as lojas físicas apresentaram um GMV de R$ 6,193 bilhões, o que representa uma redução de 1,6%. A empresa considera essa queda estável dados os desafios do setor, incluindo o fechamento líquido de 26 lojas nos últimos 12 meses.

Perspectivas para o crescimento futuro

Apesar de enfrentar obstáculos consideráveis, a Casas Bahia parece estar em um caminho de crescimento. As estratégias executadas, que incluem expansão de operações e uma gestão financeira mais vigorosa, indicam previsões mais otimistas para o futuro. A companhia continua a investir em inovação e em sua presença no mercado digital, buscando diversificação e maior resiliência.

O CFO ressaltou que a companhia está determinada a continuar melhorando seus padrões operacionais e que a transformação em curso terá impactos positivos crescentes a cada trimestre.

Análise da margem Ebitda da empresa

A margem Ebitda é uma métrica vital para qualquer varejista, e no caso da Casas Bahia, essa margem se manteve relativamente estável. Com 8,1% no primeiro trimestre, a empresa mostra que, apesar das dificuldades, ainda é capaz de avançar em eficiência operacional. O desafio será garantir que essa margem não apenas se mantenha, mas que melhore com o tempo, especialmente em um ambiente de taxas de juros elevadas.

Desafios do cenário macroeconômico atual

O cenário macroeconômico representa um desafio significativo para a Casas Bahia. Com a alta da Selic e a pressão sobre o consumo, a companhia deve adaptar suas estratégias e responder aos novos comportamentos dos consumidores, que estão cada vez mais cautelosos em seus gastos.

A adaptação rápida e eficiente às novas realidades, assim como o investimento em tecnologia e treinamento de sua equipe de vendas, serão essenciais para que a companhia não apenas sobreviva, mas prospere no futuro próximo.